Quem compra um híbrido plug-in fica muitas vezes com a ideia de que a wallbox é assunto para elétricos puros. É uma leitura compreensível — a bateria é pequena, o carro não fica preso sem carga — mas que ignora o essencial: um plug-in só compensa financeiramente se andar mesmo em modo elétrico. E para isso precisa de carregar. Muito.
O paradoxo do plug-in
Um híbrido plug-in tem tipicamente entre 40 e 80 km de autonomia elétrica. Se carregar todas as noites, faz a maioria dos trajetos do dia a dia em elétrico e só usa gasolina em viagens longas. Se não carregar, transporta uma bateria pesada que não usa e um motor a combustão a puxar esse peso — e consome mais do que o híbrido convencional equivalente.
É exatamente por isto que os plug-ins têm a fama de "não cumprirem os consumos anunciados": muitos são usados por quem nunca os liga à tomada.
A conta é mais favorável do que parece
Contra: bateria pequena, logo menos energia comprada, logo menos poupança absoluta face a um elétrico puro.
A favor, e é o que costuma decidir: a bateria pequena enche todas as noites com folga, portanto praticamente todos os quilómetros urbanos podem ser feitos em elétrico. Quem faz 40 ou 50 km diários pode passar meses sem meter gasolina. Multiplicado por um ano, a diferença entre gasolina e eletricidade doméstica em vazio é substancial.
Precisa de muita potência? Não.
Este é o ponto prático mais útil: quase todos os plug-ins aceitam pouca potência em corrente alternada — muitos limitam-se a 3,7 kW, alguns a 7,4. Uma bateria de 15 kWh carrega do vazio ao cheio em cerca de quatro horas a 3,7 kW. Ou seja, para um plug-in a wallbox mais modesta chega perfeitamente, e raramente é preciso mexer na potência contratada. Ver o artigo sobre que potência escolher.
E carregar por tomada, já que é pouca energia?
É tentador e é o cenário em que mais vemos gente a fazê-lo diariamente durante anos. Mas continuam a ser várias horas de corrente contínua todas as noites, com todos os riscos associados. A diferença face ao elétrico puro é de grau, não de natureza.
Resumo
Se tem um plug-in e o quer usar como plug-in, instale carregador — não precisa de ser potente nem caro. Se comprou o plug-in por outras razões e não tenciona carregar com regularidade, seja honesto consigo próprio: nesse caso, nem a wallbox nem provavelmente o próprio carro eram a escolha certa.
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