Há três números que aparecem em todos os catálogos: 3,7 kW, 7,4 kW e 22 kW. A tentação é escolher o maior, pela mesma lógica com que se escolhe o telemóvel com mais memória. Só que aqui a lógica não se aplica — e escolher em excesso custa dinheiro sem trazer benefício.
O que cada potência dá, na prática
- 3,7 kW (monofásico): cerca de 20 km de autonomia por hora. Numa noite de dez horas, 200 km. Raramente exige mexer na potência contratada.
- 7,4 kW (monofásico): cerca de 40 km por hora. Enche praticamente qualquer bateria durante a noite. É a escolha da maioria das casas.
- 11 kW (trifásico): cerca de 60 km por hora. Precisa de instalação trifásica.
- 22 kW (trifásico): cerca de 120 km por hora, quando o carro aceita.
O detalhe que muda tudo: o que o carro aceita
Este é o ponto que mais gente desconhece. O carregamento em casa é em corrente alternada, e a velocidade máxima não depende só da wallbox: depende do carregador de bordo do carro, que tem um limite próprio.
Muitos elétricos vendidos hoje aceitam no máximo 7,4 kW ou 11 kW em corrente alternada. Se ligar um desses carros a uma wallbox de 22 kW, ele vai carregar exatamente à velocidade que aceita — nem um watt a mais. Pagou por 22 kW e usa 7,4. Antes de decidir a potência, veja na ficha técnica do seu carro qual é o limite de carregamento AC. Aqueles números impressionantes de "carregamento ultrarrápido" que os fabricantes anunciam referem-se a corrente contínua, em postos públicos, e não têm nada a ver com o que se passa na sua garagem.
A pergunta certa não é "quão rápido?", é "chega durante a noite?"
Um carro parado em casa das 20h às 8h tem doze horas para carregar. Mesmo a 3,7 kW, são cerca de 240 km repostos. A pergunta útil é: quantos quilómetros faço por dia, em média? Se faz 50, 60 ou 80 km diários, praticamente qualquer wallbox chega, e o que importa é programar a carga para as horas mais baratas.
A potência mais alta justifica-se quando: faz muitos quilómetros diários e imprevisíveis, o carro fica pouco tempo em casa, ou vai carregar mais do que um veículo.
E a instalação da casa?
A maioria das habitações em Portugal é monofásica, o que limita naturalmente a 7,4 kW. Converter a instalação para trifásica é possível, envolve o comercializador e o operador de rede, e custa tempo e dinheiro. Para uso doméstico normal raramente compensa — e se alguém lho tentar vender sem lhe explicar porquê, peça as contas. Explicamos o assunto em detalhe na página de aumento de potência e quadro elétrico.
A nossa recomendação, em três linhas
- Uso doméstico normal, instalação monofásica: 7,4 kW é o ponto de equilíbrio.
- Poucos quilómetros e vontade de não mexer na potência contratada: 3,7 kW chega bem.
- Instalação trifásica, dois carros ou uso intensivo: 11 kW, e só 22 kW se os carros aceitarem mesmo.
Na dúvida, diga-nos o modelo do seu carro e os quilómetros que faz por dia: em dois minutos dizemos-lhe qual faz sentido. 919 060 257 ou peça orçamento.
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